É indiscutível a importância do agronegócio para a economia brasileira. Impulsionado pela confirmação de mais uma safra recorde de grãos que deve ultrapassar as 235 milhões de toneladas, o agronegócio mais uma vez impulsiona a economia brasileira, minimizando o impacto de outros setores. A expectativa é que a atividade agropecuária, as indústrias de insumos, as agroindústrias e todos os serviços que fazem parte deste segmento sejam responsáveis por aproximadamente a metade do crescimento esperado para o PIB de 2017, além de gerarem novos empregos e contribuírem favoravelmente para o superávit da balança comercial.

Sabemos que o investimento em tecnologia e inovação, as boas práticas agrícolas e o clima são fatores responsáveis por esse ecossistema positivo. No entanto, devemos destacar também a maneira como todas essas informações são transmitidas ao produtor rural. É neste momento que o marketing cumpre uma função essencial na transferência de conhecimento.

Mas você deve estar se perguntando: “O objetivo do marketing não é vender?”. Definitivamente, não é só isso. O conceito passou por diversas transformações ao longo dos últimos 50 anos. Para o norte-americano Philip Kotler, uma das referências na área, o marketing nos dias de hoje é focado nas relações humanas, entendendo as mudanças de comportamento dos consumidores e no poder de persuasão que eles têm nas plataformas digitais. É o consumidor influenciando o outro, e uma comunicação cada vez mais horizontal e instantânea.

O agronegócio não só precisa, mas deve estar inserido nesta nova era do marketing, sem esquecer os diferentes perfis dos produtores rurais, tão bem representados na campanha institucional da BASF: Agricultura, o maior trabalho da Terra. Quando falamos de perfil nos referimos ao tamanho da área plantada, tipo de cultivo, região, adoção de tecnologia, entre outros fatores que fazem a diferença na tomada de decisão. Mais do que oferecer soluções inovadoras, as empresas devem fornecer informações relevantes, transparentes e de qualidade para que os produtores consigam aumentar a eficiência e a perenidade do seu negócio.

Neste sentido, as empresas não devem ignorar os diferentes canais. Se o produtor está cada vez mais conectado às mídias digitais, seja pelo celular ou pelo computador, é importante marcar presença nesse terreno, entregando conteúdo diferenciado por meio das redes sociais como WhatsApp e Facebook, além dos Websites. Mas antes de tudo, conheça a fundo a jornada do seu cliente para oferecer um conteúdo personalizado e de impacto, sabendo que ele pode influenciar milhares de outros clientes.

Levando em conta essa nova dinâmica do mercado, as áreas de Comunicação e Marketing estão passando por uma grande reformulação. O desafio está em integrar as diferentes plataformas de comunicação e mídia, e utilizar a melhor linguagem para cada uma delas. A estratégia de relacionamento adotada nesses canais deve contemplar a cocriação e interação com os diferentes públicos. Um exemplo é o Blog Agro BASF, plataforma digital que traz conteúdos técnicos e didáticos para auxiliar o produtor rural no planejamento sobre o melhor manejo agrícola.

Em paralelo, é essencial não deixar para segundo plano as ações face to face com o cliente que, apesar de tradicionais, ainda são eficientes. Podemos citar como exemplos os Dias de Campo, rodadas técnicas e feiras, tão importantes para a transferência de conhecimento e momento ideal para a troca de experiências e entender melhor as necessidades do produtor rural.

Vejo todas estas mudanças do marketing como oportunidade para elevarmos o nível das discussões e sermos cada vez mais referência na economia mundial. No entanto, vale lembrar que de nada adianta se a estratégia não for construída com informações confiáveis e seguras. É fundamental que as ações de marketing das empresas rurais auxiliem na transferência de conhecimento, sempre visualizando o legado do produtor.

* Marcelo Batistela é membro da diretoria executiva da ABMRA e diretor de Marketing da Unidade de Proteção de Cultivos da BASF para o Brasil