Quando se olha para a alta de 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB) no acumulado dos três primeiros trimestres do ano, ante igual período de 2016, “fica clara a contribuição da agropecuária para o ano”, afirma, Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Conforme os dados divulgados pelo IBGE, pela ótica da oferta, a agropecuária foi o único componente com variação positiva, de 14,5%, puxando as demais atividades. A indústria encolheu 0,9% e os serviços, 0,2%, na comparação com os três primeiros trimestres de 2016. “No acumulado do ano, o PIB só está positivo por causa da agropecuária”, disse Rebeca.

Já na comparação com o 2º trimestre do ano, a agropecuária foi a principal responsável por segurar a expansão do PIB. A perda de ritmo no crescimento do Produto Interno Bruto é explicada por efeitos sazonais da agropecuária, ressaltou a especialista do IBGE. O PIB do terceiro trimestre cresceu apenas 0,1% ante o segundo trimestre. No segundo trimestre, o crescimento foi de 0,7% ante o primeiro.

A perda de fôlego da agricultura brasileira no segundo semestre é normal e esperada, pois as principais safras nacionais, como soja e milho, são colhidas no início do ano. “O grande boom da agropecuária foi no primeiro semestre, mais até no primeiro trimestre”, afirmou Rebeca. Além disso, safras importantes do fim do ano, como a cana, não estão bem. “A gente não tem mais a safra da soja e entrou a safra da cana, que está com expectativa de queda na produção”, afirmou Rebeca.

A pesquisadora ressaltou que, para 2017 como um todo, a agropecuária continua como o grande destaque da economia, na esteira de uma supersafra que se recupera da quebra verificada em 2016. “Claro que, no acumulado do ano, a agropecuária puxa a atividade”, disse Rebeca.

O crescimento nas safras de milho, algodão e laranja ajudou a impulsionar a alta de 9,1% no PIB da Agropecuária no 3º trimestre de 2017 em relação ao terceiro trimestre de 2016, segundo os dados do IBGE. Por outro lado, impactaram negativamente os cultivos de cana-de açúcar e de café. “A agropecuária continua crescendo muito, mas essa taxa é menor do que a taxa do segundo trimestre”, lembrou Rebeca Palis.

Segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola apurado pelo IBGE em outubro, são esperados avanços este ano na produção de milho (54,9%); algodão (10,7%) e laranja (0,1%), mas perdas na cana (-6,8%) e café (-7,9%).

As exportações da indústria automotiva e da agropecuária foram os principais destaques da alta registrada nas vendas externas de bens e serviços no terceiro trimestre de 2017 contra o segundo trimestre do mesmo ano, informou a coordenadora das contas nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“A exportação cresceu muito nesse trimestre, a maior parte de soja e milho no primeiro semestre não estava sendo exportada, estava sendo acumulada “, explicou a coordenadora.

“Mesmo os preços internacionais não terem aumentado muito, verifica-se aumento expressivo exportação da agropecuária no terceiro trimestre”, completou. As exportações de bens e serviços no terceiro trimestre de 2017 subiram 4,1% e 7,6% em relação a igual trimestre do ano anterior.