Imagine a seguinte situação – por meio de um aparelho de ressonância magnética, você consegue verificar no mercado ou estabelecimento próximo de sua casa, qual das laranjas está mais doce; o teor de gordura e aspectos como maciez, sabor e suculência de determinada peça de carne ou ainda detectar alterações no azeite de oliva como a mistura de óleo, sem precisar cortar ou abrir embalagens. Bacana, não? Embora pareça distante, esta pode ser uma realidade bem mais próxima de acontecer do que você pensa.

Isso porque a ferramenta, que será mais uma aliada da indústria e também dos consumidores está sendo desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) de São Carlos, Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) de Araraquara, Universidade de Campinas (Unicamp), Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), em Curitiba e Londrina, e Embrapa Pecuária Sudeste e a empresa Fine Instrument Technology (FIT).

Batizada por ressonância magnética (RM) de baixo campo, a tecnologia é o mais simples dos aparelhos de ressonância magnética e pode ser usada em todo tipo de alimento, desde que não esteja em embalagem metálica. “A RM de baixo custo é cerca de 10 vezes mais barata que as técnicas usadas na Medicina e em laboratórios e, além disso, a análise química das amostras são feitas em segundos”, diz Luiz Alberto Colnago, pesquisador da Embrapa.

“Tecnologias semelhantes já vêm sendo estudadas desde os anos 1980, direcionadas ao setor do agronegócio, como por exemplo, um aparelho que aponta quanto de óleo há em uma semente. Mas têm custo muito alto. O que buscamos com a RM de baixo campo é simplificar o instrumento, baratear custos e acelerar o processo de análise de alimentos in natura e também industrializados”, explica Colnago.

“A aplicação da pesquisa e sua parte eletrônica estão finalizadas. Nosso maior desafio agora é o desenvolvimento do magneto, que é o tubo por onde os alimentos são inseridos. A ideia é que ele tenha 10 cm. de diâmetro”, informa Daniel Consalter, sócio e diretor de tecnologia da FIT. “A previsão é de que tenhamos o primeiro protótipo em outubro deste ano”, completa.

De acordo com o especialista, duas empresas já utilizam esta tecnologia adaptada às suas necessidades – Denpasa, para auxiliar o processo de extração de óleo de palma e JBT, para extração de néctar da laranja. “A Ceagesp Campinas também já manifestou interesse pela ferramenta, que os ajudará na pré-seleção de frutas”, diz.

“Com o que desenvolvemos, até o momento, o custo desta tecnologia hoje é de R$ 200 mil. Mas nossa ideia é que isto esteja acessível ao consumidor final e não só à indústria”, anseia Consalter. “Importante ressaltar de que não há nenhuma instituição no mundo realizando testes para análises de frutas, carnes frescas e produtos comerciais embalados utilizando aparelhos de baixo custo. Esta é uma tecnologia totalmente brasileira”, orgulha-se Colnago.

Fonte: Cenário Agro – Autora: Sílvia Sibalde