Quando foi a ultima vez que você abriu um jornal para ler ou se sentou no sofá para acompanhar as notícias e não se deparou com uma crise? Ou melhor, já houve algum momento em que você não encarou uma reportagem chamativa sobre o tema? Seja qual for o tamanho, as empresas de todos os segmentos são desafiadas diariamente e as crises são, além de uma ameaça iminente, algo que faz parte de nosso dia-a-dia.

A crise também faz parte da rotina de Cristina Iglecio, presidente da Ágora e palestrante do míni simpósio “Gestão de imagem na era digital e em tempos de crise”, da série Eventos Agromarketing, da Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócio (ABMRA).  Sua longa trajetória em grandes consultorias de comunicação no Brasil fez com que lidar com problemas de imagem e reputação se tornasse quase um hobby. “Pode parecer estranho, mas para mim falar sobre crise é um prazer”, ri.

Mas afinal, o que é crise? Crise é qualquer problema ou perturbação que desencadeie uma reação negativa dos stakeholders que possa afetar a reputação, a saúde financeira ou a capacidade da organização de suas atividades.  E essas “perturbações” acontecem por vários motivos. “Cerca de 80% dos altos executivos compreendem a necessidade de se preparar para uma possível crise, a necessidade de uma gestão preventiva, mas apenas 30% realmente fazem algo sobre isso”, explica Cristina.

Metade das crises corporativas ou de negócios registradas ao longo de 2016 em todo mundo tiveram  como causas apenas dois fatores principais: falhas de gestão e discriminação. Desse total, 32% emergiram de forma repentina e 68% foram fruto de lenta evolução. “Acabamos pensando muito no dia de amanhã, nas contas para pagar e esquecemos de pensar a longo prazo. Focar que ‘não é um problema tão grande’ é o jeito mais fácil dele se tornar algo realmente enorme. Enfiar a cabeça debaixo da terra não vai fazer desaparecer, mas sim piorar a situação” esclarece a especialista.

Que caminho seguir, então? De acordo com Cristina Iglecio, as empresas tem excesso de autoconfiança. Então, o primeiro passo a dar é admitir a vulnerabilidade. “Mesmo quando não há indício de crise, é recomendado identificar riscos potenciais e desenhar processos. Os chamados issues devem estar no radar e as empresas, preparadas”. Mas se a crise já for uma realidade e não uma probabilidade é preciso ter consultores especializados e ferramentas que garantam a estratégias eficazes sob pressão.

“A melhor gestão de crise é aquela que fica entre quatro paredes, que não “vaza” para o público. Por isso, o ideal é lidar com os temas sensíveis antes de acontecerem. Se não, é preciso salvar o barco e a tripulação depois do choque. Minimizar danos e perdas”, termina a consultora.

O míni simpósio “Gestão de imagem na era digital e em tempos de crise” é mais um evento da Série Agromarketing, da Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócios (ABMRA). “Nosso objetivo com essa série é trazer à discussão temas relevantes para o universo do marketing e da comunicação no âmbito do agronegócio. A gestão de imagem na era digital é um grande desafio para as organizações, inclusive do nosso setor, e é papel da ABMRA oferecer caminhos para superar esses obstáculos”, destaca Jorge Espanha, presidente da ABMRA.