A safra de laranja no Estado de São Paulo pode ser até 20% menor este ano. O excesso de chuva, no fim de 2009, comprometeu boa parte da produção. Em muitos locais, pode até faltar fruta para abastecer o mercado. Com menos fruta e maior demanda, analistas do setor esperam que o preço recebido pelos citricultores, que vem se recuperando há pelo menos dois meses, continue subindo ao longo do ano.
As chuvas do último semestre prejudicaram as floradas de setembro e novembro, momento em que a flor dá origem a laranja. Outra dificuldade dos produtores é manter os tratos culturais neste início de ano, já que a chuva continua. Mesmo assim, os analistas garantem que este deve ser um ano de preços melhores, o que pode animar os produtores que estavam desestimulados com a citricultura.
A safra está terminando e os produtores querem aproveitar o momento de valores em alta. O administrador de fazenda Clodoaldo de Souza está vendendo a caixa de laranja de mesa a R$ 17. Em dezembro, recebia R$ 10.
A laranja de mesa, vendida no varejo, foi o produto que registrou o maior aumento de preço nas últimas quatro semanas, segundo o Instituto de Economia Agrícola. A caixa subiu 41,10% em relação às quatro semanas anteriores. O produtor que vende para a indústria também está recebendo mais. Nesse caso, a alta foi de 14,12%.
Segundo o presidente da AgraFNP, Maurício Mendes, a explicação para os aumentos está em uma combinação simples: oferta menor e demanda em alta. A recuperação de preços deve se manter ao longo deste ano.
Publicado no Informativo JAN/FEV da Associtrus
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A primeira quinzena de janeiro foi marcada por altas expressivas nos preços internacionais do suco de laranja, que voltaram a superar os 130 centavos de dólar por libra-peso na bola de Nova York. No mesmo período do ano passado, o produto era negociado na bolsa a 72 centavos de dólar por libra-peso, registrando valorização de cerca de 80% ao longo de 2009. Foi o terceiro ano consecutivo em que a cotação do suco de janeiro superou os valores do primeiro vencimento na bolsa. Em 2007 e 2008, os preços ainda refletiam as conseqüências dos furacões que varreram o estado da Flórida – segundo maior estado produtor mundial de laranja, atrás de São Paulo – em 2004.
A forte alta nos preços do suco se deve à onda de frio que atingiu/atinge a Flórida. As geadas ocorridas nas duas primeiras semanas do mês afetaram a produção pendente e, provavelmente, comprometerão a próxima florada, que virá entre março e abril. As estimativas de quebra da safra atual, porém, são ainda muito incertas: variam de 5% a 30%. Reforçam o movimento de alta os baixos estoques mundiais de suco de laranja.
Em 2008 e boa parte de 2009, o volume estocado era elevado, mas, com as promoções e descontos oferecidos por supermercados dos Estados Unidos e da Europa, os estoques diminuíram. Aliadas a isso, as produções de laranja, tanto de São Paulo como da Flórida se mantiveram em volumes relativamente baixos.
Para se ter uma idéia, na safra 1997/1998 a Flórida produziu 244 milhões de caixas, enquanto em 1998/99 em São Paulo o volume foi de 423 milhões, as maiores safras registradas até então. Já entre 2009 e 2010 as produções nos estados líderes mundiais cairão para 130 e 300 milhões de caixas, respectivamente.
Do lado da demanda, o consumo mundial de suco de laranja concentrado, que em 2003 chegou a 2,7 milhões de toneladas, correspondeu a 2,1 milhões de toneladas em 2008. Isso porque os consumidores vêm dando preferência a outras bebidas, como sucos de outras frutas, chás, águas saborizadas, etc.
Embora o suco a 130 centavos de dólar por libra-peso já tenha significado, no passado, boa remuneração para indústria e produtores, hoje não o é mais. Preços em torno de US$ 6 a caixa, historicamente considerados excelentes, não permitirão margem positivo à maioria dos produtores, devido ao alto custo de produção agrícola atual. A esse custo de matéria prima (US$ 6 a caixa), também a indústria teria baixa margem de ganho.
Margens remuneradoras para esses dois principais elos produtivos só acontecerão se houver altos preços finais. Resta saber quanto a mais os consumidores estarão dispostos a pagar por um bom copo de suco.
Para a citricultura que está aí, baseada em altos custos, elevados riscos sanitários, em que a escala de produção tanto agrícola como industrial é necessária, não serão atrativos preços inferiores ao intervalo de 130 a 140 centavos de dólar, ou entre US$ 1900 e US$ 2000 a tonelada.
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